Adelaide Amorim
Brasil
Decantação
Porque calei o amor e a incerteza toda a verdade do que mais importa e construí castelos de defesa só restará de mim a língua morta com que semeio a terra adjacente e que relata imagens refletidas do medo e da saudade do presente e do futuro adiado pela vida. Porque fiquei e o tempo nunca pára e quanto mais me omito mais me eximo partiu-se o fio que me desenhara. Tornei-me pedra cal areia e limo já não sou mais que o espaço que me ampara e decantada no tempo me suprimo.
publicado en revista ilha negra
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